ENTRE GÊNEROS


Fotografia, Produção e Coordenação Geral: Diego Ciarlariello

Pôster: Will Cega

Matéria na Revista Rolling Stone: http://goo.gl/CyAJAh
Matéria Jornal do Brasil: https://goo.gl/p59YCF
Texto Jean Wyllys: https://goo.gl/QhR8ZN
Festival Sesc de inverno: https://goo.gl/vfUy8m
O globo: goo.gl/5MH3Ri
Sesc Tijuca: goo.gl/nUfPi1

Casa Naturahttps://casanaturamusical.com.br/calendario-de-eventos/2019/8/31/johnny-hooker-e-filipe-catto-persona-nbspabertura-da-exposio-entre-gnerosnbspde-diego-ciarlariello

·Aretha Sadick
·Assucena Assucena e Raquel Virgínia 
·Caio Prado, Daniel Chaudon e Diego Moraes 

·Diego Ciarlariello

·Filipe Catto
·Gael Badaró 
·Jacqueline Rocha Côrtes 
·João W. Nery
·Johnny Hooker
·Laerte Coutinho
·Leci Brandão 
·Lia Clark
·Lineker / São Yantó
·Liniker
·Linn da Quebrada

·Mel Gonça
·Ney Matogrosso 
·Pablo Vittar
·Rico Dalasam

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA  “ENTRE GÊNEROS” POR DIEGO CIARLARIELLO

DESCONSTRUÇÃO, PERFORMANCE, ARTE, GÊNERO E PRECONCEITO EM EXPOSIÇÃO

Drag queens, Travestis, Transexuais, Andróginos, entre outras formas de cruzamento das fronteiras de gênero estão saindo das margens da sociedade. O que leva a uma maior visibilidade social e ainda a certo reconhecimento político, mas o que acontece aos rostos anônimos, destinados ao constante risco e violência? Não caminhamos numa linha única da opressão ao fim de preconceitos.

A exposição nasceu à convite do SESC RIO, com curadoria de Diego Ciarlariello, Ramon Nunes Mello e Ana Paula Simonaci. O trabalho foi apresentado inicialmente em 2016 no SESC Quitandinha (Petrópolis – RJ) durante o Festival Sesc de Inverno, que contou com um show do Ney Matogrosso na abertura. Em 2017, a exposição fez parte de uma ocupação sobre gênero, no Sesc Tijuca (Rio de Janeiro).

A exposição é a primeira do fotógrafo, que trabalha com diversos artistas e em 2012, ganhou o prêmio de Melhor Fotografia no concurso Revela São Paulo.

“Entre Gêneros” surgiu para abordar as questões de fluidez de gênero em personalidades da cultura em geral, de várias gerações. “Entre” também tem o significado de estar inserido, tanto Diego, como realizador do projeto, como o público, estão todos“entre” os artistas, em diálogo com eles. 

A mostra revela a força de cada um dos retratados, que acaba sendo não apenas individual, pois eles representam, com afirmação, um grupo marginalizado pela sociedade. Essas pessoas são importantes, porque dão maior visibilidade e atraem os holofotes para si próprias e para questões que ainda precisam ser discutidas. Destaca-se assim, as androgenias e as transgressões em várias épocas, desde pioneiros como Ney Matogrosso.

As fotos confirmam a teoria a qual Judith Butler, filósofa e feminista defende: a questão de “performatividade”.

São imagens inéditas de artistas que questionam estereótipos de gênero por meio da militância e da arte.

Em Petrópolis, a mostra foi vista por mais de 6 mil pessoas.

O que as imagens nos dizem?  Outras estórias? Certamente. Redescoberta de outros passados? Sim. Estas fotos são esfinges a serem descobertas por um outro olhar, em um outro tempo. Estamos prontos para decifrá-las ou elas nos devorarão?

Diego toca, aborda e questiona assuntos importantes como diversidade, autonomia, direitos e liberdade. Mesmo num mundo extremamente preconceituoso e conservador, os retratados se mostram corajosos em viver fora dos padrões normativos da sociedade. Gênero é fluido, socialmente construído, performado e sistêmico. 

Apesar da predominância de corpos jovens, a presença de João Nery, Ney Matogrosso, Laerte e Jacqueline Rocha Côrtes nos apontam que esta “transhistória” está só começando a ser contada. A exposição Entre Gêneros, de Diego Ciarlariello faz parte dessa história. Nossa história.

Abertura da exposição "Entre Gêneros", de Diego Ciarlariello

Johnny Hooker e Filipe Catto | Persona

A ideia de Filipe Catto e Johnny Hooker fazerem um show para a abertura da exposição "Entre Gêneros", do fotógrafo Diego Ciarlariello, nasceu graças a uma amizade de anos, um senso de identificação geracional e um amor imenso que os três artistas têm um pelo trabalho do outro. "Persona é uma celebração especial à nossa música e à nossa existência nesse momento obscuro do Brasil", conta Johnny Hooker. "É uma grande ida ao divã; como chegamos a esse ponto e pra onde vamos daqui? Mas principalmente um sonho sobre de um futuro de liberdade e igualdade para todos", completa Johnny.

"Este show é um presente, pra gente e pro público. As pessoas sempre pediram este encontro, e fazer ele acontecer junto da exposição da Diego deixa tudo ainda mais especial", comenta Filipe Catto. "É emocionante cantar com minha irmã essas canções que nos protegeram durante nossa vida sendo queer em um mundo violento" .

No repertório, músicas autorais de Catto e Hooker, como "Lua Deserta" e "Você Ainda Pensa?", respectivamente, além de canções que acompanharam a formação musical e pessoal dos dois artistas, como "Escândalo" (de Caetano Veloso, mas que ficou famosa na voz de Ângela RoRo) e "Explora Coração" (composição de Gonzaguinha, sucesso na voz de Maria Bethânia). "Esse é um pouco do espírito deste show, no qual a gente desfila nossa persona através das nossas canções favoritas e hits da nossa carreira", comenta Catto. 

sobre a exposição 

ENTRE GÊNEROS: LIBERDADE E RESISTÊNCIA

 Vivemos hoje mais do que nunca um momento de sociabilidade de estabelecimento de espaços e construção de si quando o assunto é gênero. A transformação da sexualidade num ponto relevante para a promoção da identidade acentua a crescente importância de áreas até então protegidas pela barreira do privado, tais como o corpo, a orientação sexual e o gênero.

 As chamadas minorias sexuais estão muito mais visíveis e, consequentemente, torna-se mais explícita e acirrada a luta delas com os grupos conservadores. A denominação minoria que lhes é atribuída parece, contudo, bastante imprópria. As minorias nunca poderiam se traduzir como uma inferioridade numérica, mas sim como maiorias silenciadas que, ao se politizar, convertem o gueto em território e o estigma em orgulho de gênero, ou étnico. Entretanto, mesmo diante da construção de liberdades de gênero e do lento avanço das políticas públicas ocorridas nas últimas três décadas, o Brasil lamentavelmente lidera os rankings de assassinatos de gays, travestis e transexuais.

Diante desse cenário, com o aumento da visibilidade e do debate sobre o tema de gênero no meio artístico no Brasil; em agosto de 2016, o fotógrafo Diego Ciarlariello foi convocado pela então gerência de cultura do SESC Rio, para retratar personalidades contemporâneas que suscitavam o rompimento com o padrão binário masculino e feminino. Pela sensibilidade do olhar, Ciarlariello conseguiu capturar o sentimento de liberdade no exercício da diferença de conduta de identidades e a intenção inerente de resistência individual a tendência enquadradora da sociedade.

Os sujeitos retratados – em sua maioria artistas, cantores e ativistas dos direitos humanos – na exposição Entre Gêneros, composta por 18 fotografias, contemplam em suas trajetórias a escolha de não se submeter ao padrão heteronormativo, criando assim o sentimento de ruptura com a opressão que quase sempre suscita a imposição da clandestinidade de suas verdades e identidades. Mais do que um simples registro fotográfico de personalidades como Ney Matogrosso, Laerte e Pabllo Vittar, entre outros nomes da cena contemporânea, a mostra firma-se como uma cartografia sobre a liberdade e resistência de pessoas que se propõem a quebrar paradigmas de gênero e de representatividade no Brasil.

 

Ramon Nunes Mello e Wagner Alonge